Trombose

Trombose é a formação de um coágulo sanguíneo em uma ou mais veias da circulação profunda do corpo, geralmente nas pernas. O coágulo bloqueia o fluxo de sangue e causa inflamação, levando a inchaço, vermelhidão e dor no local. Porém, até 70% desses eventos podem ser assintomáticos. Dessa forma, a suspeita clínica, geralmente baseada na presença de outros fatores de risco, é extremamente importante para o diagnóstico. Se não tratada, a trombose venosa profunda (TVP) pode levar a alterações persistentes na pele e até a feridas de cicatrização difícil. Além disso, caso parte do coágulo se desprenda, pode ser transportada pela corrente sanguínea, obstruindo a circulação dos pulmões, em um processo chamado de tromboembolia pulmonar (TEP). Essa condição pode levar dificuldade de oxigenação do sangue devido à presença do trombo impedindo o fluxo de sangue nos pulmões causando sintomas, como uma crise de falta de ar, dor no tórax ao respirar, tosse seca ou com rajas de sangue e palpitações e em casos mais grave até a morte. Tromboembolismo venoso (TEV) engloba tanto TVP quanto TEP, sendo a terceira causa de mortalidade cardiovascular, perdendo apenas para as tromboses do sistema arterial, ou seja, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).

  • Redução de sua mobilidade devido a alguma doença, tratamento ou condição física, como durante hospitalizações;
  • História prévia de TEV;
  • Idade acima de 55 anos;
  • Insuficiência respiratória ou cardíaca;
  • Infecções;
  • Obesidade;
  • Câncer em atividade ou em uso de quimioterapia/radioterapia;
  • Trombofilias;
  • AVC (com paralisia dos membros inferiores);
  • Síndrome nefrótica;
  • Varizes grossas;
  • Doença inflamatória intestinal;
  • Doenças reumatológicas, como lúpus e artrite reumatoide;
  • Tabagismo;
  • Uso de estrógenos, como contraceptivo ou para reposição hormonal;
  • Traumas;
  • Fraturas de ossos do quadril e perna;
  • Cirurgias, principalmente ortopédicas e para câncer;
  • Gravidez e puerpério (3 meses pós-parto).

A profilaxia de TEV, ou seja, o uso de medidas preventivas tem como objetivo reduzir a ocorrência de TEV e suas consequências. A principal medida é caminhar, pois os músculos das panturrilhas funcionam como bombas, evitando a estase do sangue nas pernas. No entanto, nem sempre é possível deambular o suficiente, como durante as hospitalizações. Nesses casos, a recomendação é para iniciar ou manter a deambulação, mas o médico pode indicar também o uso de medicações anticoagulantes, além do uso de meias de compressão.

As medidas profiláticas, particularmente com o uso de anticoagulantes, devem ser mantidas, em geral, por 6 a 14 dias para o caso de pacientes clínicos, e de 7 a 10 dias para pacientes cirúrgicos, mas o período adequado de uso da medicação deve ser determinado pelo médico responsável pelo paciente de acordo com o quadro clinico.

É conveniente que a medicação anticoagulante seja usada todo dia, na mesma hora, seguindo a recomendação prescrita pelo médico. Não se deve interromper o medicamento ou alterar a dose recomendada sem uma ordem médica específica. Se tiver alguma dúvida sobre o tratamento com a terapia de anticoagulação, certifique-se de pedir mais esclarecimentos ao médico.

  • Evitar a imobilidade prolongada, como ocorre, às vezes, em viagens de mais de seis horas. Caminhe ou faça exercícios para as pernas, promovendo a elevação, movimentação passiva/ativa de membros inferiores;
  • Evitar o tabagismo;
  • Evitar a obesidade;
  • Lembrar seus médicos de seus antecedentes clínicos pessoais ou familiares de trombose, suas doenças que podem ser fatores de risco para TEV e suas medicações em uso, incluindo a utilização de anticoncepcionais orais, sobretudo quando hospitalizado ou em preparação para algum procedimento cirúrgico.
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    A medicação anticoagulante deve ser utilizada apenas de acordo com a prescrição médica. Não interrompa ou altere a dose prescrita sem uma ordem médica específica.

    Acesse o guia de aplicação do medicamento.